As Faces do Amor

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Ah, o Amor!

Um tema tão antigo, mas que nunca sai de moda. Talvez porque ele seja tão mal compreendido até os dias de hoje.

Falar de amor é um dos assuntos mais agradáveis, íntimos e fortes de se conversar. Alguns terão algumas teorias de como definir o amor, tantos outros terão experiências mais apaixonadas do que amorosas para contar e embasar o assunto, mas será que sabemos do que se trata o amor?

Para definir amor, sem limitação, partimos da questão: existe amor sem interesse?

Você ama o cinema? Os livros? Você ama o dinheiro, ou o que ele possibilita? Ama política, ou o poder, justiça, ou a liberdade? Tem amor pelo seu trabalho?

É o que você ama? ou o que a coisa amada pode lhe proporcionar ou lhe proporcionará?

Você ama mesmo a felicidade que pode vir do amor ofertado e da coisa amada.

Existe tantos interesses que advém desses questionamentos, e para cada um existe um amor diferente. Não existe interesse sem amor, e qualquer outro só tem interesse à proporção do amor que lhe dedicamos ou nele encontramos.

Portanto, você só ama aquilo que lhe interessa, e quando se perde o interesse, perde-se o amor. É amar o amor ou não amar nada – é amar o amor, ou morrer.

Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à questão fundamental da vida. Já dizia Spinoza: “Toda a nossa felicidade e toda nossa miséria residem num só ponto: a que tipo de objeto estamos presos pelo amor?

Se a vida vale ou não a pena ser vivida, se vale ou não o prazer de ser gozada, depende da quantidade de amor de que somos capazes.

E dessa retórica concluímos que a felicidade é um amor feliz, e a infelicidade um amor infeliz, ou nenhum amor.

A felicidade é o objetivo de todos os homens, inclusive daqueles que vão se enforcar. Dirá Freud que a psicose depressiva ou melancólica se caracteriza pela “perda da capacidade de amar” inclusive a si mesmo. E não é de se espantar que a falta de amor costuma ser suicida. É o amor que faz viver, que salva, que torna a vida amável.

Podemos amar os amigos, o poder, o dinheiro, a justiça, os animais, e diante de tantos interesses e objetos que podemos amar é a unicidade da palavra, para tantos amores diferentes, que causa confusão.

Os gregos utilizavam três palavras para designar os amores diferentes: eros, philia e ágape.

O amor ágape é o mais recente de todos e representa o amor incondicional, o amor santo, o amor utilizado pelos cristãos para representar Deus. Doar-se sem receber nada em troca.

O amor philia representa o amor fraternal, o amor que você sente por um amigo, pelos animais e objetos de seu interesse.

Já o amor eros é a carência e a paixão amorosa. É o amor que mais causa confusão por ser mais forte e fruto de sofrimentos demasiados.

Segundo Platão, o amor eros seria aquilo que nos faz falta, e só podemos amar aquilo que não temos e desejamos. É o amor mais fácil e violento: eu te amo, eu te quero. Ele precisa amar o que não tem, e sofrer, ou amar o que já não ama (quando já o tem) e se chatear: Sofrimento da paixão, tristeza dos casais – não há amor eros feliz!

Amor é desejo!

Mas que tipo de amor devemos nutrir?

Bem, já dizia os cristãos: “ame o próximo como a si mesmo”.

Ora, o amor agrada a todos e é preciso amar a si mesmo, sempre! Senão, como poderiam nos pedir para amar o próximo como a nós mesmos?

É desse ponto que devemos partir: o amor-próprio. Se perdermos a capacidade de amar a nós mesmos, como podemos exigir que os outros nos ame? Como teremos natureza para amar um outro?

Mas, cuidado, amar somente a si mesmo é uma experiência perigosa. O excesso de amor próprio pode trazer armadilhas que te farão muito mal como a frieza, a falta de empatia, o orgulho demasiado, a cegueira sentimental, a criação de muros (medo), a falta de amor e, por fim, a falta de felicidade. Não é à toa que nos foi pedido para amarmos o próximo, mas tenhamos parcimônia.

Vivemos em dias líquidos e o equilíbrio de sentimentos e onde colocar energia é a chave da felicidade.

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